Quando se está fora do próprio país, ou em intercâmbio, ou disposto a viver uma experiência forte e inesquecível, quase tudo é motivo para reflexão e aprendizado e de quase todo o ruim é possível tirar algo de muito bom.
Os últimos dias passei enfermita. Me dispensaram do trabalho três dias e fiquei em casa descansando, tendo febre, dormindo, lembrando e pensando.
E essa foi mais uma das fortes experiencias que se vive em um intercambio. Lembrei de muitas coisas com saudade, mas com igual tranquilidade.
Lembrava da comidinha da mamãe, do hospital Santa Rita, da Nimesulida do papai, da doçura que se transformavam os irmãos.
De RP me lembrava dos amigos de verdade, das companhias, do meu apartamento gigante, da farmácia São Carlos, do poder faltar das aulas sem pesar a consciência.
Ao mesmo tempo, quando parecia haver concluído que estava cedo demais para parecer importante à vida de alguém daqui, começaram manifestar-se os primeiros indicativos a amizades ou pessoas que se preocupam e com quem parece que posso contar aqui nesse país semi desconhecido:
Marina me ligou todos os dias, me trouxe jantar e terminou seus créditos de celular tentando me convencer a não ir trabalhar. Lady me ofereceu xarope, me preparou frutas com suco de laranja. Humberto ligava pra saber como estava, fazia companhia, oferecia se a tudo. Alejandra ligou, Joaco ligou e Edita também ligou para saber como eu estava.
E assim fui passando esses três dias, deitada em minha almofadinha de Diva, com meu cobertor de elefante, tomando litros de água e um antibiótico de 15000 pesos que o doutor de 20000 pesos me receitou.
quarta-feira, 25 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
“Uma cidade fantasma e uma mina de cobre”. ou “A pequenez e a burrice.”
Este fim de semana fui com Marina e Edita a Sewel, la ciudad de las escaleiras, a 2 horas de Santiago. Trata-se de uma cidade, hoje abandonada, construída no meio da Cordilheira dos Andes, pelos trabalhos na Mina El Teniente, a maior mina subterrânea de cobre do mundo.
Para aqueles tão ignorantes quanto eu antes de chegar ao Chile, este país tem como base de sua economia o cobre, mineral farto por toda Cordilheira dos Andes.
Sewel era então uma cidade localizada no meio da Cordilheira e, por isso com muitas escadas, onde viviam os mineiros, alguns outros trabalhadores e americanos que administravam a mina.
O tour que fizemos é restrito a pouco menos de 60 pessoas por fim de semana. Ou seja, no dia em que fomos, havia pouco mais de 25 turistas em Sewel. VIP! Para chegar até esta cidade, que está nas beiradas da mina, nos toca a dura tarefa de percorrer estradas ao redor da Cordilheira. Ou seja, FUI AOS ANDES!
Inacreditável! Vistas fabulosas! Inacreditável! Absurdo! Absurdo! ...Nada mais que dizer disso.
Foi fantástico conhecer o museu do cobre, entender um pouco mais desse metal, de seu minério, sua história desde as armaduras de exércitos romanos até as fibras óticas e os celulares, enfim. A cidade de Sewel está totalmente abandonada e é patrimônio da humanidade. Linda, curiosa, diferente, hermosa.
Depois de paisagens indescritíveis, do museu curiosíssimo e da cidade meiga, fomos conhecer a mina. Não sei quão tonta sou, mas o fato é que só me dei conta do que é uma mina, quando estava dentro de El Teniente. Uma mina! Definição: Uma indústria GIGANTE construída DENTRO da rocha. E quando digo GIGANTE, é realmente gigante. E quando digo DENTRO da rocha, é realmente DENTRO da rocha. Fabuloso. Estávamos dentro da Cordilheira, a 4km da entrada da mina e tendo cerca de 30km de montanha sobre nossas cabeças. Entende o que é isso? Acho que devo desenhar.
Para estar na mina vestimos todos aqueles equipamentos de segurança próprios: chapeuzinho com lanterninha, roupinha laranja super fosforescente, botas especiais, tampões de ouvido, auto-resgatador, enfim. Uma roupa super pesada e igualmente divertida.
Vimos parte do processo de extração do cobre da pedra e também vimos uma caverna de cristais maravilhosa. Acho que a coisa mais incrível que já vi na minha vida. Inacreditável. Me lembrei o tempo todo dos livrinhos da coleção Vaga-Lume que lia quando criança.
Fomos a um dos 8 níveis da mina. Sim, como disse a mina é uma indústria gigante dentro da rocha e tem vários níveis. Trabalham cerca de 2000 pessoas ao mesmo tempo lá dentro. Tem noção? Ao fim do dia começam entrar dezenas de ônibus da rocha para buscar os trabalhadores que estão lá dentro: mineiros, engenheiros de minas, engenheiros outros, etc
Ao fim do tour, muito cansada, tirei um cochilinho dentro da cordilheira enquanto esperava que nosso transporte pudesse sair.
Tenho certeza que se um dia for participar daquela brincadeira (que acho ridícula diga-se) do “Eu nunca”, vou ser a única a beber quando diga: “Eu nunca tirei um cochilinho dentro da Cordilheira dos Andes”. É assim!
Fiquei impressionada com este passeio e refleti muito acerca de tudo que vi. É incrível...a oportunidade de contemplar a natureza, a maravilha da criação e em seguida contemplar a capacidade da inteligência humana de construir uma fábrica dentro da rocha, a maravilha da criação. É fabuloso.
Olhando toda aquela Cordilheira, gigante e exuberante, me dei conta de como sou pequena nesse mundão maravilhoso. E observando aquela mina funcionando, me dei conta de como sou burrinha.
Absurdo!
Para aqueles tão ignorantes quanto eu antes de chegar ao Chile, este país tem como base de sua economia o cobre, mineral farto por toda Cordilheira dos Andes.
Sewel era então uma cidade localizada no meio da Cordilheira e, por isso com muitas escadas, onde viviam os mineiros, alguns outros trabalhadores e americanos que administravam a mina.
O tour que fizemos é restrito a pouco menos de 60 pessoas por fim de semana. Ou seja, no dia em que fomos, havia pouco mais de 25 turistas em Sewel. VIP! Para chegar até esta cidade, que está nas beiradas da mina, nos toca a dura tarefa de percorrer estradas ao redor da Cordilheira. Ou seja, FUI AOS ANDES!
Inacreditável! Vistas fabulosas! Inacreditável! Absurdo! Absurdo! ...Nada mais que dizer disso.
Foi fantástico conhecer o museu do cobre, entender um pouco mais desse metal, de seu minério, sua história desde as armaduras de exércitos romanos até as fibras óticas e os celulares, enfim. A cidade de Sewel está totalmente abandonada e é patrimônio da humanidade. Linda, curiosa, diferente, hermosa.
Depois de paisagens indescritíveis, do museu curiosíssimo e da cidade meiga, fomos conhecer a mina. Não sei quão tonta sou, mas o fato é que só me dei conta do que é uma mina, quando estava dentro de El Teniente. Uma mina! Definição: Uma indústria GIGANTE construída DENTRO da rocha. E quando digo GIGANTE, é realmente gigante. E quando digo DENTRO da rocha, é realmente DENTRO da rocha. Fabuloso. Estávamos dentro da Cordilheira, a 4km da entrada da mina e tendo cerca de 30km de montanha sobre nossas cabeças. Entende o que é isso? Acho que devo desenhar.
Para estar na mina vestimos todos aqueles equipamentos de segurança próprios: chapeuzinho com lanterninha, roupinha laranja super fosforescente, botas especiais, tampões de ouvido, auto-resgatador, enfim. Uma roupa super pesada e igualmente divertida.
Vimos parte do processo de extração do cobre da pedra e também vimos uma caverna de cristais maravilhosa. Acho que a coisa mais incrível que já vi na minha vida. Inacreditável. Me lembrei o tempo todo dos livrinhos da coleção Vaga-Lume que lia quando criança.
Fomos a um dos 8 níveis da mina. Sim, como disse a mina é uma indústria gigante dentro da rocha e tem vários níveis. Trabalham cerca de 2000 pessoas ao mesmo tempo lá dentro. Tem noção? Ao fim do dia começam entrar dezenas de ônibus da rocha para buscar os trabalhadores que estão lá dentro: mineiros, engenheiros de minas, engenheiros outros, etc
Ao fim do tour, muito cansada, tirei um cochilinho dentro da cordilheira enquanto esperava que nosso transporte pudesse sair.
Tenho certeza que se um dia for participar daquela brincadeira (que acho ridícula diga-se) do “Eu nunca”, vou ser a única a beber quando diga: “Eu nunca tirei um cochilinho dentro da Cordilheira dos Andes”. É assim!
Fiquei impressionada com este passeio e refleti muito acerca de tudo que vi. É incrível...a oportunidade de contemplar a natureza, a maravilha da criação e em seguida contemplar a capacidade da inteligência humana de construir uma fábrica dentro da rocha, a maravilha da criação. É fabuloso.
Olhando toda aquela Cordilheira, gigante e exuberante, me dei conta de como sou pequena nesse mundão maravilhoso. E observando aquela mina funcionando, me dei conta de como sou burrinha.
Absurdo!
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Salir de carrete
Nos meus primeiros dias de Chile pude aprender um dos conceitos mais importantes para a juventude Chilena.
Aqui, ao invés de “sair pra balada” os chilenos “salen a carretear”.
‘Carrete’: Cilindro com rebordos nos extremos, onde se enrolam fios diversos.
Ou seja: carrete = carretel, molinete
Deste modo, o ‘carrete’ remete à pipa que pode alcançar sua liberdade e ir além. E é daí que nasce a expressão: “Salir de carrete”
Pura cultura! =)
Aqui, ao invés de “sair pra balada” os chilenos “salen a carretear”.
‘Carrete’: Cilindro com rebordos nos extremos, onde se enrolam fios diversos.
Ou seja: carrete = carretel, molinete
Deste modo, o ‘carrete’ remete à pipa que pode alcançar sua liberdade e ir além. E é daí que nasce a expressão: “Salir de carrete”
Pura cultura! =)
sábado, 21 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Já não somos os mesmos
Ontem falei com o Quadrado pelo sistema de mensagens online interno à Novartis (MSN interno). Um fato que quase poderia ser banal, se não fosse o detalhe de eu estar no Chile e ele na Guatemala e, mais do que isso, se não fosse tudo o que a este fato precede.
Vejamos:
Vejamos:
Setembro de 2006
Visitas rotineiras à biblioteca do campus. Era a época que eu ainda estudava com antecedência para provas. Em um jornalzinho da USP vi uma publicação do, até então anônimo, Rodrigo Costa, falando de uma organização, até então desconhecida para mim, AIESEC. Me interessei pela oportunidade que divulgava, entrei no site indicado, não entendi absolutamente nada e mandei um e-mail pro contato que encontrei. Uma, também anônima, Carol me respondeu dizendo com educadas palavras algo como: “sinto muito, perdeu sua vez, fique sem jogar.”
Março de 2007
Salgado na cantina. Era a época que o bandejão já não tinha graça nem pelo “social”. Em um cartazinho em ingles vi a divulgação daquela tal organização que eu quase já tinha me esquecido. Me interessei pela oportunidade que divulgava, entrei no site, não entendi quase nada e liguei para pedir informação. Mais um anônimo, Vitor Bassi, me disse que fosse à palestra informativa dali a poucas horas. Estava no Centro Acadêmico, com preguiça de ir pra casa e fadiga de ir estudar. Tainá estava comigo, fomos à tal palestra.
No caminho encontramos o Quadras e Ana Cristina, recém saindo da aula prática de Farmacognosia. Convidei a eles que fossemos juntos, assim também aproveitávamos a carona do Quadras para casa.
Chegamos na, até então, pouco conhecida FEA, cheia de gente, até então, igualmente anônima. Começou a falar um tal rapaz com nome de Marco Túlio, até então, imperialmente anônimo. Não entendi muita coisa ainda, mas comecei achar que se tratava de algo com o qual me identificava. E comecei a gostar de FooFighters.
Ana Cristina não se empolgou, Tainá animou receosamente, Quadras agiu como o Quadras. No dia seguinte, nos inscrevemos.
Passado um mês, já sabia dançar Tunak tunak Tum. Passados dois, já conhecia Itapecerica da Serra e já dizia “alinhar”.
No caminho encontramos o Quadras e Ana Cristina, recém saindo da aula prática de Farmacognosia. Convidei a eles que fossemos juntos, assim também aproveitávamos a carona do Quadras para casa.
Chegamos na, até então, pouco conhecida FEA, cheia de gente, até então, igualmente anônima. Começou a falar um tal rapaz com nome de Marco Túlio, até então, imperialmente anônimo. Não entendi muita coisa ainda, mas comecei achar que se tratava de algo com o qual me identificava. E comecei a gostar de FooFighters.
Ana Cristina não se empolgou, Tainá animou receosamente, Quadras agiu como o Quadras. No dia seguinte, nos inscrevemos.
Passado um mês, já sabia dançar Tunak tunak Tum. Passados dois, já conhecia Itapecerica da Serra e já dizia “alinhar”.
Assinar:
Postagens (Atom)